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03/09/2012

Prof. Molion denuncia manobras políticas que manipulam a ciência climática



Prof. Molion denuncia manobras políticas que manipulam a ciência climática
Prof. Molion denuncia manobras políticas que manipulam a ciência climática

O professor Luiz Carlos Baldicero Molion, a maior autoridade brasileira em matéria de clima, empreende uma árdua e benemérita tarefa denunciando as fraudes do catastrofismo ambientalista.

Em diversas ocasiões tivemos a oportunidade de reproduzir seus artigos ponderados e altamente científicos.


Ele escreveu mais um para a “Folha de S.Paulo”, o qual temos o gosto de reproduzir aqui.

Mudanças climáticas e governança global

Um resfriamento global, com mais invernos rigorosos e má distribuição de chuvas, é esperado nos próximos 20 anos, em vez do aquecimento global antropogênico (AGA) alardeado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O AGA é uma hipótese sem base científica sólida. As suas projeções do clima, feitas com modelos matemáticos, são meros exercícios acadêmicos, inúteis quanto ao planejamento do desenvolvimento global.

Seu pilar básico é a intensificação do efeito estufa pelas ações humanas emissoras de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), por meio da queima de combustíveis fósseis e de florestas tropicais, das atividades agrícolas e da pecuária ruminante.

Porém, o efeito estufa jamais foi comprovado, nem sequer é mencionado nos textos de física. Ao contrário, há mais de cem anos o físico Robert W. Wood demonstrou que seu conceito é falso.

As temperaturas já estiveram mais altas, com concentrações de CO2 inferiores às atuais.

Por exemplo, entre 1925 e 1946, o Ártico em particular registrou aumento de 4°C com CO2 inferior a 300 ppmv (partes por milhão em volume). Hoje, a concentração é de 390 ppmv.

Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion, maior autoridade brasileira sobre clima
Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion, maior autoridade brasileira sobre clima
Após a Segunda Guerra, quando as emissões aumentaram significativamente, a temperatura global diminuiu até a metade dos anos 1970.

Ou seja, é obvio que o CO2 não controla o clima global. Reduzir as emissões, a um custo enorme para a sociedade, não terá impacto no clima.

Como mais de 80% da matriz energética global dependem de combustíveis fósseis, reduzir emissões significa reduzir a geração de energia e condenar países subdesenvolvidos à pobreza eterna, aumentando as desigualdades sociais no planeta.

Essa foi, em essência, a mensagem central da carta aberta entregue à presidenta Dilma Rousseff antes da Rio+20 e assinada por 18 cientistas brasileiros, inclusive eu.Veja a carta na íntegra CLIQUE AQUI

A trama do AGA não é novidade e seguiu a mesma receita da suposta destruição da camada de ozônio (O3) pelos clorofluorcarbonos (CFC) nos anos 1970 e 1980.

Criaram a hipótese que moléculas de CFC, cinco a sete vezes mais pesadas que o ar, subiam a mais de 40 km de altitude, onde ocorre a formação de O3.

O 'buraco de ozônio' foi tido como problema pela literatura pseudocientífica,  quando ele é um problema inexistente
O 'buraco de ozônio' foi tido como problema pela literatura pseudocientífica,
quando ele é um problema inexistente
Cada átomo de cloro liberado destruiria milhares de moléculas de O3, reduzindo a sua concentração e permitindo a maior entrada de radiação ultravioleta na Terra, o que aumentaria os casos de câncer de pele e eliminaria milhares de espécies de seres vivos.

Reuniões com cientistas, inclusive de países subdesenvolvidos, foram feitas para dar um caráter pseudocientífico ao problema inexistente, foi criado o Painel de Tendência de Ozônio no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e foi elaborado o Protocolo de Montreal (1987), assinado pelos países subdesenvolvidos sob ameaças de sanções econômicas.

O Brasil também assinou, para ter sua dívida externa renovada.

Em 1995, os autores das equações químicas que alegadamente destruíam o O3 receberam o Nobel de Química.


Verdadeiro objetivo: governo mundial que escravize os países
Verdadeiro objetivo: governo mundial que escravize os países
Porém, em 2007, cientistas do Jet Propulsion Laboratory da NASA demonstraram que as suas equações não ocorrem nas condições da estratosfera antártica e que não são a causa da destruição do ozônio.

O AGA seguiu os mesmos passos, com reuniões científicas, a criação do IPCC, o Protocolo de Kyoto e o Nobel (da Paz?) para o IPCC e Al Gore.

Essas foram duas tentativas de se estabelecer uma governança global.

Qual será o próximo passo? A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas da Biodiversidade e Serviços (IPBES)?
LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION, 65, doutor em meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA), é professor da Universidade Federal de Alagoas

27/08/2012

Aumento da temperatura e do CO2 ajudam a expandir a vida. Como ocultá-lo manipulando fatos científicos?

 



A Terra no Eoceno: temperaturas e CO2 máximos
estimularam maravilhosa expansão da vida vegetal e animal
Como fazer para que o leitor normal aceite como provada a hipótese do aquecimento global quando um estudo científico de porte fala mais bem em sentido contrário?

A BBCdeu um exemplo disso, para não citar outras caixas de ressonância habituais do catastrofismo ambientalista.

Há um modo de apresentar a matéria pondo destaques e ênfases, apelando a insinuações e, para garantir, deixando alguns astuciosos contrafortes nas partes provavelmente menos lidas. Vejamos.

Há 52 milhões de anos existiram na Antártida palmeiras e espécies vegetais do tipo baobabs. O clima era tropical e a vegetação exuberante, comprovou um trabalho publicado pela revista “Nature”.

O trabalho foi elaborado por cientistas da Universidade de Goethe e do Centro de Investigação do Clima e Biodiversidade de Frankfurt.

Florestas da Nova Zelândia se assemelham
às do centro da Antartida no Eoceno
Os especialistas analisaram amostras de rochas extraídas do fundo do mar na Terra de Wilkes.

As amostras contêm fósseis de pólen e esporas originadas na costa antártica. Os investigadores reconstituíram teoricamente a vegetação da zona e acham que a costa se parecia com alguma localidade do Caribe.

As temperaturas na costa antártica oscilariam entre 10º C no inverno e 25º graus no verão.

O interior do continente, porém, era mais frio, mas havia florestas compostas por araucárias do tipo que hoje se encontram na Nova Zelândia.

As amostras analisadas provêm do início do Eoceno, período em que as temperaturas na Terra foram muito altas e a concentração de CO2 atingiu mais do dobro da atual.

O valioso trabalho apenas confirma o que sempre afirmaram os cientistas objetivos: que a Terra já passou por períodos de aquecimento entre as diversas glaciações na História.

O Eoceno (entre 56 milhões e 33 milhões de anos atrás) foi caracterizado por altas temperaturas e concentrações de CO2 elevadíssimas, favorecendo o desenvolvimento de bosques tropicais que se espalharam por todo o globo, inclusive nos polos, além da vegetação e dos mamíferos (dinossauros e baleias notadamente).

Naquele período – antes da deriva continental ou separação dos continentes – a Antártida estava ligada à Austrália.

O período concluiu com um grande esfriamento da temperatura global (entre 36 e 33 milhões de anos atrás) que extinguiu maciçamente os grandes mamíferos, talvez 20% da fauna do planeta.

Aquecimento global e super-nivel de CO2 favoreceram o planeta todo.
Concepção artística de uma floresta alemã no Eoceno
Após os dados, o viés.

A notícia menciona o suposto “aquecimento global antropogênico” e sugere ao leitor que o Eoceno “foi marcado por uma espécie de ‘'efeito estufa’... que teria semelhanças com o momento atual da Terra”, como escreveu a BBC.

A BBC apresenta os resultados do estudo como um “retorno ao futuro”: o aquecimento global estaria nos levando a um período enormemente quente parecido com o Eoceno.

A comparação é uma arapuca sob múltiplos pontos de vista.

1) A extinção de espécies vivas, a redução das florestas e certa desertificação aconteceram com o esfriamento e a diminuição do nível de CO2 na fase final do Eoceno. O contrário da pregação alarmista atual que aponta no aquecimento global: extinção de espécies, redução da área habitável, desertificação, redução da água doce, entre outras "catástrofes" planetárias.

2) O fenômeno, comparável ao “efeito estufa”, que segundo a BBC gerou o Eoceno, foi extraordinariamente favorável à flora e à fauna. Outra negação do que o alarmismo espalha a propósito do “efeito estufa”.

3) Se é para comparar, deveria se concluir que o aquecimento global e o aumento do CO2 – se é que existem – nos conduziriam a uma extraordinária expansão da vida e multiplicação das espécies. O contrário do alarmismo, que anuncia a extinção das espécies e a desertificação dos continentes habitados.

Terra aqueceu sem influência humana. Concepção artística da Antártida no Eoceno
4) A apresentação enviesada omite mais um dado essencial da polêmica atual: há 52 milhões de anos o homem não existia.

Sobretudo a civilização moderna – responsabilizada pelo aquecimento global antropogênico – dava sinais nem de vir a nascer.

5) Por fim, a duração das mudanças no Eoceno se contabiliza em milhões de anos. Agora bem, esses prazos não impressionam ao leitor. Resultado, a nota da BBC introduz uma especulação própria, a qual é feita para assustar.

O golpe consiste em dizer que, segundo o estudo, mudanças imensas como as do Eoceno poderiam acontecer agora, “quiçá em menos tempo”.

Citando um coautor, a BBC destaca que “se as emissões [de CO2] continuarem sem cessar por causa da queima de combustíveis fósseis, é provável voltarmos a obter essas concentrações em poucas centenas de anos”.

6) No último parágrafo do longo artigo, a BBC deixa montada uma defesa: segundo James Bendle, da Universidade de Glasgow, coautor do trabalho, “o Eoceno apresenta elevações de níveis de CO2 que não serão alcançados tão cedo e que talvez jamais venham a ser alcançados caso ocorra uma redução na emissão de CO2”.

Jörg Pross: CO2 não explica aquecimento do Eoceno
Conferindo outras fontes informativas, como o diário Clarín, de Buenos Aires, verificamos que para outro membro da equipe científica, o professor Jörg Pross, paleoclimatólogo na Universidade Goethe, o nível de CO2 na atmosfera do Eoceno não é suficiente por si só para explicar as condições quase tropicais na Antártida, tirando a base para as fantasias alarmistas.

E Mariano Memolli, diretor do Instituto Antártico Argentino, apontou que os estudos apresentados são “apenas modelos teóricos”, ou exercícios mentais cuja aplicação na realidade é desconhecida.

Porém, passando rapidamente os olhos sobre a notícia, o leitor desprevenido ficará com a impressão contrária. E poderá sair velhacamente ludibriado.

19/06/2012

Rio+20: Salvem as Florestas Temperadas

Mais uma vez no Rio+20 iremos ouvir o brado da devastação da Amazônia, e ninguém vai sair protestando contra o desmatamento quase total das Florestas Temperadas. 
Por que ninguém exige o reflorestamento do Mid-West Americano e da Europa?
Por que os brasileiros gastam 95% do seu tempo contra o desmantamento da Amazônia e nada protestam contra o desmatamento das Florestas Temperadas? 
Em 2003, escrevi o artigo abaixo na Veja: Salvem as Florestas Temperadas, e a repercussão foi quase nula.
Não fui convidado para nenhuma das 54 Conferências sobre Ecologia realizadas no Brasil de lá para cá, ninguém achou este tema importante suficiente para se discutir.
Eis o artigo de 2003, que infelizmente continua válido.  

No filme A Bruxa de Blair, sucesso de bilheteria do cinema alternativo americano, há uma cena que fez meu sangue de ecologista amador brasileiro e defensor do crescimento sustentável literalmente borbulhar.
Os três estudantes do longa estão totalmente perdidos numa floresta da Nova Inglaterra e a garota começa a entrar em pânico achando que nunca mais sairia daquela selva.
Seu colega então diz algo parecido com: 
"Não seja idiota, nós destruímos todas as nossas florestas temperadas.
É só andarmos mais meia hora em linha reta que logo sairemos daqui".
Ecologistas do mundo todo vivem fazendo protestos para preservar a floresta tropical brasileira, mas raramente param para refletir sobre essa corajosa crítica contida nesse filme, que fez tanto sucesso.
Se alguém se perder na Floresta Amazônica, poderá ter de andar por noventa dias até achar uma saída, tal o nível de preservação de nossa Amazônia, comparada com as demais florestas.
Então, não seria correto também discutir a reconstituição das florestas temperadas, há muito tempo dizimadas?
Na Europa e nos Estados Unidos, boa parte das florestas foram destruídas.
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O "Crescente Fértil" descrito na Bíblia é hoje o Iraque da "Desert Storm".
Em contrapartida, 86% da Floresta Amazônica continua intacta. Images (27)






No famoso Museu Smithsonian de Washington, vi um painel que orgulhosamente mostrava um pioneiro derrubando uma árvore para criar uma área arável e poder "suprir nossos antepassados com a comida necessária". Texto deles. 
Destruíram tantas florestas temperadas para plantar comida que hoje eles têm muito mais agricultores do que o necessário, a maioria economicamente inviável.
Com a produtividade atual da agricultura, bastaria cultivar as planícies naturais que todos os países já possuem.
A destruição das florestas temperadas é uma das razões dos maciços subsídios que a Europa e os Estados Unidos dão à agricultura, razão de nossos protestos junto à OMC.
Quando negociadores do governo brasileiro reclamam desses subsídios, a resposta é que eles são necessários para manter a população no campo.
Caso contrário, os países teriam enormes espaços e terras vazias, com todo mundo vivendo nas cidades.
O erro dessa lógica política está na frase "espaços e terras vazias", uma vez que essas terras não eram "vazias" antes de as florestas temperadas serem dizimadas.
Há muito deveríamos ter colocado na agenda mundial a necessidade da reconstituição das florestas temperadas ao lado da preservação da Floresta Amazônica - o que exigiria dos países desenvolvidos a lenta substituição dos agricultores subsidiados por guardas e bombeiros florestais em constante vigilância.
Pelo menos os agricultores passariam a ser úteis, em vez de receber subsídios para nada plantarem.
Os espaços não ficariam vazios, como temem os políticos desses países. Voltariam ao equilíbrio original.
Isso teria importantes consequências econômicas para o Terceiro Mundo.
Acabaria com os enormes subsídios agrícolas e equilibraria a balança comercial de muito país em desenvolvimento.
Bjorn Lomborg, autor do The Skeptical Environmentalist, escreve na página 117 uma frase de muita coragem política:
"Que base nós (Primeiro Mundo) temos para nos indignarmos com o desmatamento das florestas tropicais, considerando o nosso desmatamento na Europa e Estados Unidos?
É uma hipocrisia aceitar que nós nos beneficiamos imensamente da destruição de enormes áreas de nossas próprias florestas mas não vamos permitir que países em desenvolvimento se beneficiem como nós o fizemos.
Se não quisermos que eles usem seus recursos naturais do jeito que nós usamos os nossos, devemos compensá-los de acordo".
Obviamente, ele foi massacrado, e por muitos brasileiros. 
Da próxima vez que um amigo, um jornalista ou um diplomata estrangeiro lhe indagar sobre o que estamos fazendo com nossa Floresta Amazônica, antes de responder, pergunte-lhe o que ele está fazendo para reconstituir 85% de suas florestas temperadas.

Por *Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 1823, ano 36, nº 40 de 8 de outubro de 2003, página 22

22/05/2012

Lá fora é bonito, aqui é proibido

Por Davi Schweitzer

Já faz algum tempo que vi no site da Exame uma matéria sobre "Os 10 países mais verdes do mundo". Na época, achei engraçadinho, mas estava escrevendo outros textos então deixei essa notícia para depois. Bom, o resumo da ópera é o seguinte: as universidades de Yale e Columbia bolaram um "Índice de Performance Ambiental", e o utilizaram para eleger os 10 países mais verdes. Os resultados seguem abaixo:

1.    Suíça;
2.    Letônia;
3.    Noruega;
4.    Luxemburgo;
5.    Costa Rica;
6.    França;
7.    Áustria;
8.    Itália;
9.    Reino Unido e Suécia (empatados em 9º).
Achei a matéria da Exame bem ilustrada, com uma foto para cada país, sempre fotos muito bonitas. Porém notei algo estranho. Se os mesmos lugares retratados fossem no Brasil, acho que não seriam exemplo de "país verde". Vejam abaixo:

Paisagem da Áustria: Cadê os 20% de Reserva Legal em cada propriedade? E aquele topo de morro sem APP?

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Letônia: Cadê os 30 metros de APP na beira do rio?

Noruega: Se fosse aqui, alguém já diria que "os ricos estão destruindo a natureza

Itália: Ah um IBAMA por lá, hein?
Mais uma da Áustria: Eu queria um Ministério Público lá pedindo pra derrubar todos os prédios, destruir o molhe e demolir aquele castelo no topo do morro.
E o Brasil?
Sabem em que posição o Brasil ficou? 30º. Os resultados estão disponíveis nesse link.

Eu queria que eles fizessem um novo índice, algo como "Índice de leis ambientais absurdas". Nesse o Brasil sairia ganhando disparado. Já viram quantas leis ambientais existem no país? Se aplicassem nossas leis ambientais por lá, garanto que nenhuma dessas fotos existiria, ou estariam sendo utilizadas como prova pelos IBAMAs e Ministérios Públicos de lá para processar os proprietários. E isso, não se enganem, é parte significante do nosso atraso em relação a eles. Não sou especialista em direito, mas quem sabe algum leitor mais esclarecido pode me dizer se nesses países há algum equivalente a nossas APPs ou o que acho a maior aberração jurídica, a Reserva Legal. Até onde sei, nesses países, se o Estado quer conservar algo para todos, ele paga por isso, com o dinheiro de todos.
Como já falei antes, somos a vanguarda do atraso. Aqui, o Estado decide que vai proteger algo para todos, na SUA propriedade, e caso você não concorde com isso, adivinha quem é o responsável? Você! Eles retiram parte significativa da SUA propriedade para todos, mas você não ganha nada por isso. Ao contrário, se você não devotar seu tempo para fazer tudo como o Estado determina você pode pagar por isso, ou mesmo perder sua liberdade.

Essa é a democracia que os ambientalistas de Alphaville, eleitores da Marina e ongueiros que nunca plantaram um pé de mandioca defendem: o produtor rural preserva por sua própria conta (e prejuízo), é uma das categorias mais desvalorizadas do país,  fornece uma das comidas mais baratas do mundo, e ainda é culpado pelos males do país. Com o apoio das ONGs européias, que acham bonito preservar aqui, mas gostam de plantar por lá.

Minha sugestão aos ecochatos: da próxima vez que forem à Europa, façam como fez a senadora e presidente da CNA, Kátia Abreu, e defendam que todos aqueles palpiteiros de lá adotem os mesmos critérios de nossa legislação ambiental. Outra alternativa seria que começassem a pensar em como melhorar nossa legislação. Mas a melhor de todas as alternativas para o Brasil é que nossos ambientalistas de miolo mole, na próxima visita a esses "países verdes", ficassem por lá. Será o maior dever cívico que farão pelo país.

por Davi Schweitzer

07/05/2012

HIPOCRISIA DOS AMBIENTALISTAS

 
 
COMENTÁRIOS:
Se existe ou não toda essa modificação climática por causa do homem fica difícil de saber, mas é fato que os eco chatos utilizam isso pra auto promoção. Vivemos a época do eco marketing, em que muitos fazem dinheiro em cima de trouxas que participam de ongs ou financiam programas "sustentáveis". Criou se mais uma
forma de enriquecer a custa de outros!
Salvar o planeta? Não sabemos ainda como cuidar de nós mesmos! Sequer aprendemos a ajudar uns aos outros! Mas temos a presunção de salvar o planeta?
O cara é bom... distintos pontos de vista favorecem a uma boa reflexão.O tema geralmente é abordado com tanta parcimônia que virou religião (fundamentalismo ecológico não ajuda).Verdadeiros ambientalistas sabem que a sustentabilidade surgirá do equilíbrio de forças antagônicas.

23/03/2012

Projeto de Código Florestal arrasa agricultura e prepara conflitos sem fim. Quando os “vermelhos” agem como “verdes”


O Estado de S.Paulo  publicou o artigo do jornalista Rodrigo Lara Mesquita
“Código Florestal, utopia ou loucura?” com relevantes informações e comentários das consequências funestas da atual versão do projeto de Código Florestal. Sublinhamos a continuação alguns de suas principais afirmações, reveladoras de um estudo de fundo sério e consciencioso. No artigo, o leitor pode apalpar como sob manto “verde” no projeto estão passando algumas das mais radicais utopias “vermelhas” que há tempo estariam sepultadas não fosse o trabalho de certo ambientalismo fanatizado.
Só um indivíduo socialmente irresponsável seria contra a possibilidade de o Brasil reverter, num período de tempo plausível, os erros graves cometidos no seu processo de ocupação territorial.

Querer resolver esses problemas numa patada, com um golpe de força, é ignorar o processo histórico, suas circunstâncias e criar um ambiente propício para toda ordem de conflitos.

A versão do Senado para o Código Florestal prevê a recuperação de áreas de preservação permanente (APPs) em todas as propriedades rurais.


O delírio miserabilista dos utopistas tornar-se-á realidade?

Quem defende esse dispositivo está praticamente condenando à morte 4,5 milhões de pequenos agricultores, responsáveis por mais da metade da produção de alimentos no País, e colocando uma bomba no colo da presidente Dilma Rousseff.
E está fazendo isso premido por argumentos e campanhas que muitas vezes se sustentam mais por argumentos emocionais do que racionais; não é possível reverter 500 anos de um processo econômico com um decreto.
No final do século passado, foram consideradas APPs as faixas marginais dos rios, as encostas de morros e outras situações. Mas a ocupação desses locais já ocorrera, ao longo dos nossos 500 anos de História.
Os principais exemplos são as pastagens nas montanhas de Minas Gerais, como ocorre nos Alpes e nos Andes; os vinhedos e macieiras em encostas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, como em grande parte da Europa; o café em altitude em São Paulo e Minas Gerais, como na Colômbia; os bananais no Vale do Ribeira, como no Equador; e a ocupação de várzeas e terras férteis à margem de rios com plantios de arroz, irrigação, criação de búfalos e outras atividades, como no Nilo, no Mekong, etc.
Na versão aprovada na Câmara dos Deputados, as atividades agropecuárias“

*tradicionais, desenvolvidas até 2008 em APPs, seriam consolidadas, com a proibição de abertura de novas áreas.
Mas o Senado impôs mais uma condição: os agricultores devem arrancar cultivos e pomares, retirar o gado e recuperar a vegetação nativa em faixas de 15 até 500 metros de cada lado dos rios e riachos.

'Uma patada, um golpe de força, cria ambiente para toda ordem de conflitos'

Ao longo do Rio São Francisco ou de rios de Mato Grosso, por exemplo, isso pode representar a perda de mais da metade das áreas produtivas.
Para quem tem diversos riachos na propriedade pode inviabilizar toda a produção. É também o caso dos projetos de irrigação, instalados ao lado dos rios.
A proposta, portanto, é de que o Estado imponha essa perda agrícola e ainda transfira o ônus para os agricultores: uma utopia ou loucura, dependendo da sua perspectiva.
Segundo fontes do Ministério do Meio Ambiente, a agricultura perderia 33 milhões de hectares. Para outras fontes, isso representaria arrancar cultivos, pomares e pastagens de 60 milhões de hectares.
Quanto menor a propriedade rural, pior a sua situação. Os pequenos utilizam a totalidade das terras para produzir e sobreviver.
De acordo com a Lei n.º 8.629/93, pequenas propriedades são imóveis entre um e quatro módulos fiscais (MFs), cuja dimensão é definida pelo Incra para cada município.
Em parte do Brasil, o Senado propõe que essa perda de terras produtivas se limite ao máximo de 20% da propriedade com menos de quatro MFs.
Ora, ao longo dos rios estão os terrenos mais férteis. Na maioria dos casos, esses 20% de terras férteis garantem 50% a 80% da renda do produtor.
Um estudo da Embrapa Gestão Territorial verificou, com base no Incra e no Censo Agropecuário do IBGE de 2006, que os imóveis com até quatro MFs correspondem a 89% dos estabelecimentos agropecuários do País, ocupam 11% do território e contribuem com 50% da produção agropecuária.
Eles serão duramente atingidos por essa medida, cujo alcance social e econômico o Ministério do Meio Ambiente e o governo não dimensionaram, muito menos o Senado.
Como impor indiscriminadamente a recomposição com vegetação nativa de áreas produtivas, se elas foram ocupadas em conformidade com a lei de seu tempo?

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, já prevê uma enxurrada de ações judiciais. Se não é uma enorme irresponsabilidade defender tal medida, é uma tentativa de passar a borracha na nossa História e em alguns casos levar a fatura para quem não tem nenhuma responsabilidade sobre esse passado.
Áreas de preservação permanente devem ser recuperadas quando e onde for pertinente, e todos os esforços nesse sentido são bem-vindos.
Mas exigir a mesma faixa de vegetação para um riacho que corre dois meses na *caatinga, ou desce encachoeirado as serras do Espírito Santo, ou escoa quase imperceptível pela pampa gaúcha, ou forma um pequeno igarapé na Amazônia é ignorar a diversidade do meio ambiente. Cada bioma pede critérios específicos.


O Código Florestal pode fazer o que a reforma agrária não conseguiu:
quebrar a classe dos proprietários rurais
e iniciar uma era de 'conflitos sem fim'


Os Estados devem participar da avaliação e do esforço para recompor as APPs de forma adequada, considerando a ocupação das terras, as tecnologias empregadas, a situação de conservação dos solos e das águas e, mais do que tudo, a história de como isso ocorreu, num processo secular.
A regularização das atividades econômicas produtivas até 2008 em APPs dará segurança jurídica ao homem do campo.
O princípio da precaução sugere que o governo avalie a situação das APPs e só depois proponha sua recuperação, por meio de critérios técnicos, lá onde for necessário, de forma adequada e no tempo possível.
Forçar a recomposição como regra absoluta pode quebrar a agricultura e os agricultores, além de abalar profundamente um dos setores mais desenvolvido e dinâmico da economia do Brasil.
Vale lembrar de novo que o objetivo das leis é apoiar a sociedade, e não controlar a sociedade. São dinâmicas, evoluem com ela, contribuindo para a formação do arcabouço institucional.
Quando as estruturas legais se chocam com as estruturas sociais, elas criam as condições para conflitos sem fim.
Fonte: Blog Verde: a nova cor do comunismo

19/10/2011

UMA JUSTA HOMENAGEM



Henrique Berbert

Com o objetivo de incentivar ações que contribuam para a conservação da biodiversidade, o fomento e divulgação dos conhecimentos tradicional e científico e a promoção do desenvolvimento sustentável na área da Mata Atlântica, o CN-RBMA criou, em 1993, o Prêmio Muriqui, hoje reconhecido como uma das mais importantes homenagens às ações ambientais no país.

O Prêmio é constituído de uma estatueta de bronze representando um Muriqui (Brachiteles arachinoides) e um diploma. O Muriqui é o animal símbolo da RBMA. Os premiados escolhidos através de voto dos membros do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica em suas ações anuais.

Anualmente são outorgados apenas dois prêmios. Uma para pessoas físicas e outro para entidades públicas e privadas, nacionais ou internacionais que tenham se destacado por suas atividades em benefício da Mata Atlântica. Excepcionalmente três prêmios, no máximo, podem ser atribuídos no mesmo ano.

Nesta última edição (2010), em função das comemorações dos 20 anos da RBMA, o Conselho decidiu reconhecer duas instituições, dois profissionais e uma iniciativa especial, além de dois prêmios in memorian. Homenagem póstuma a Henrique Fragoso Bertert de Carvalho da Bahia e Elizete Shering Siqueira, do Espírito Santo.

Henrique era Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus. Foi presidente da Associação de Proprietários de Reservas Particulares da Bahia e Sergipe – Preserva – por cinco anos, Vice Presidente da Confederação Nacional de RPPN e antes do incidente, coordenava o projeto Adequação Ambiental de Assentamentos no Corredor Central da Mata Atlântica pelo Instituto Floresta Viva.

Henrique já havia recebido o prêmio (2006), em 2007, representando a Preserva

fonte: http://www.photossintese.blog.br/

28/08/2011

Quais são as diferenças entre OnGs, Oscips e OSs? E quais são os seus papeis?




O historiador Antônio Eleilson Leite, coordenador da Associação Brasileira das Organizações não-Governamentais (Abong) em São Paulo, que atua na Ação Educativa, defende a atualização do marco regulatório do terceiro setor. E critica a criação da figura das Organizações Sociais, entidades que, em vez de parceiras dos governos, assumem de forma terceirizada o papel que deveria ser do poder público.

Concedeu entrevista a REDE, revista eletrônica de Tecnologia de Inclusão Social.

Por Lia Ribeiro Dias


A final, o que são as Organizações não-Governamentais (OnGs)? Qual é o seu papel na sociedade e no fortalecimento da democracia? Por que foram alvo da proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, em novembro, feita pelo senador Heráclito Fortes (PFL/PI)? Essas e outras questões são discutidas nesta entrevista com o historiador Antônio Eleilson Leite, coordenador do Centro de Juventude e Educação Continuada da Ação Educativa, uma OnG de longa tradição na defesa do direto à educação, e coordenador da regional São Paulo da Associação Brasileira de Organizações não-Governamentais (Abong), que reúne 270 associadas.

Eleilson considera que a motivação do senador Heráclito Fortes é claramente político-partidária, ao defender a CPI, cuja requisição deve ser reapresentada em fevereiro, segundo o acordo feito entre parlamentares da oposição e do governo. Mas o coordenador da Abong é a favor do debate sobre o papel das OnGs e a transferência de recursos públicos. Entende que o marco regulatório relativo a essas entidades precisa ser harmonizado e atualizado, já que há várias leis tratando das associações e fundações sem fins lucrativos.

Embora destaque o papel das OnGs na formulação e na execução de políticas públicas e projetos, Eleilson insiste em que elas não substituem o Estado. Por isso mesmo, a Abong se coloca contra a lei que criou a OS -- Organização Social, um modelo de entidade que, diferentemente, assume, de fato, a gestão de setores estatais.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), com o IBGE, até 2002, eram 276 mil fundações e associações sem fins lucrativos no Brasil, empregando 1,5 milhão de pessoas. Só que 77% não tinham nenhum funcionário, e apenas 1% — principalmente grandes hospitais e universidades ditas sem fins lucrativos — empregava mais de 1 milhão. Se o peso político dessas entidades não é proporcional aos números apurados, é verdade que tem havido uma expansão das OnGs que enfatizam a defesa de direitos, do meio ambiente e do desenvolvimento rural. Entre 1996 e 2002, elas saltaram de 2,8 mil para 8,6 mil.

 
Veja a entrevista na Integra





O que, na sua avaliação, motivou o pedido de CPI para investigar a atuação das OnGs? Há um recrudescimento das irregularidades ou você vê aí motivação política?







Eleilson • A CPI é um recurso importante do Parlamento, do sistema democrático, e não há nenhum problema de haver uma CPI para investigar a atuação de organizações sociais não-governamentais. O problema é a motivação. Não é a primeira CPI de OnGs. No início dos anos 90, houve uma CPI de OnGs, solicitada por parlamentares ligados a madeireiras que atuam na região amazônica e viam, nas OnGs, um empecilho a seu trabalho. Eu acredito que o senador Heráclito Fortes, pelo que pude observar pela imprensa, tem motivações políticas. A partir da constatação de que uma determinada OnG teria recebido um volume grande de recursos federais, ele colocou sob suspeita essa OnG e todas as demais que recebem repasse de recursos federais ou estaduais. Seria até interessante se ter uma CPI que pudesse esclarecer à população sobre os diferentes tipos de OnGs existentes e sobre o repasse de recursos públicos.

Quando e por que as OnGs cresceram no país? É um contraponto às privatizações, ao estado mínimo? O Estado, por falta de infra-estrutura própria de pessoal, passou a recorrer a elas para desenvolver políticas públicas?


Eleilson • Existe um levantamento realizado pelo Ipea e pelo IBGE, publicado em 2004 e que cobriu o período até 2002, que apontou a existência de 276 mil associações e fundações sem finalidade lucrativa. São instituições de todo tipo, desde associações de moradores, de classe, de defesa de diretos, etc. Na década de 80, foram criadas 62 mil entidades sem finalidade lucrativa; na década de 90, 140 mil. Possivelmente, esse volume de entidades criadas na década de 90 se deve ao estímulo da Constituição de 1998. Ela diz que as pessoas têm liberdade de constituir associações e que é vedada a interferência do Estado desde que, evidentemente, não sejam organizações de caráter racista ou paramilitar.
Esse fato se insere no processo de redemocratização, a partir de 1985, que por si só estimulou os mecanismos de organização da sociedade. Outro fator relevante foi a realização, no Brasil, em 92, no Rio de Janeiro, da conferência da ONU sobre o meio ambiente. A sociedade civil organizou uma conferência paralela, no Aterro do Flamengo. A partir dali, a mídia passou a dar destaque ao trabalho das OnGs, o que também passou a estimular seu desenvolvimento.

Como você avalia a importância do Terceiro Setor na consolidação da democracia?


Eleilson • Nós, da Abong, não gostamos dessa definição de Terceiro Setor, porque é uma definição, a nosso ver, muito associada a um conceito trazido para o Brasil pela filantropia empresarial. A Conferência do Meio Ambiente de 1992 também despertou, de forma legítima, iniciativas do setor empresarial. Foram criados o Instituto Ethos e o GIFE (Grupo de Investimentos de Fundações e Empresas), duas forças do empresariado, uma de responsabilidade social e outra de investimento social privado, que ajudaram a alavancar as fundações privadas de tal forma que, a partir da metade dos anos 90, foi esse conceito que passou a ser destacado na mídia. Toda e qualquer definição que se possa dar para OnG é insuficiente. Uma definição do Senado Federal estabelece que a OnG é um grupo social organizado formalmente e autonomamente, com ações de solidariedade a populações excluídas. Só que a Associação Paulista Viva, organizada pela associação de lojistas e moradores, também é uma OnG, embora não defenda nenhuma população excluída. Não estou tirando o valor da iniciativa. O exemplo é para mostrar como qualquer definição é insuficiente. Usamos o termo OnG porque ele está mais vinculado à pressão dos movimentos sociais, à militância, ao engajamento e à defesa de direitos.

E quais são as diferenças entre OnGs, Oscips e OSs?

Eleilson • Outro movimento importante que ocorreu nos anos 90, foi o fato de o governo FHC ter ordenado as relações das instituições com o Estado. Ele deu um novo papel às OnGs, com uma visão própria, a de que elas podem completar o papel do Estado. Isso traz um certo esvaziamento do Estado na implementação das políticas sociais.

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira é um formulador dessa concepção, que é programática no PSDB.

A reforma do Estado do governo FHC previa a criação das Oscips. Na verdade, elas foram criadas no âmbito do Comunidade Solidário, programa que era conduzido pela Ruth Cardoso. Com as Oscips, cria-se o termo de parceria, que é uma modalidade de convênio menos burocratizada e que possibilita um dinamismo das OnGs em sua relação com o Estado.

O conceito de interesse público das Oscips é bastante interessante. O problema está nas conseqüências disso. Existem hoje, no Brasil, 4 mil OnGs que obtiveram o título de Oscips via Ministério da Justiça (também pode ser obtido em nível estadual).

Uma das imperfeições da lei é que qualquer instituição, mesmo recém-criada, pode requerer o título de Oscip; e muitas OnGs viraram um negócio.

Muitos profissionais, gente séria, no lugar de montar uma consultoria, montam uma OnG e requerem o título de Oscip. Em si, não há nenhum problema em se fazer isso porque é até uma forma de você, estando fora do governo, contribuir com a formulação de políticas. Só que esse mecanismo pode levar a uma terceirização do Estado, sem controle.

O que é uma OS?


Eleilson • É um título dado pelo chefe do Executivo federal, que permite à OnG gerir um equipamento público, estabelecido pela Lei 9637, de maio de 1998. O que o Estado faz com a OS não é um convênio, como no caso da Oscip, é um contrato de gestão. O Hospital Sara Kubitscheck é uma OS. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo é uma OS. O Museu da Casa Brasileira, da Casa das Rosas, da Língua Portuguesa, todos eles são OS. Evidentemente que isso deve ter aspectos positivos, mas, em termos de política pública, pode criar um grande problema. Como OS, essas instituições têm sua autonomia de captação de recursos, o que pode acabar gerando uma distorção na distribuição dos recursos, já que não se tem mais o Estado para fazer a equalização. Como exemplo: a Orquestra Sinfônica, em função de sua excelência, por aquele auditório maravilhoso construído pelo Estado, tem muito maior condição de captar recursos do que outra entidade, mesmo que seja uma OS. Nós, da Abong, somos contra a Lei da OS, porque entendemos que tem problema intrínseco, o que não acontece com a Lei das Oscips, onde temos que estar atentos apenas para as conseqüências da sua aplicação.

Como você vê o marco regulatório hoje?



Eleilson • É absolutamente necessário ter marco regulatório. Por meios dos títulos públicos, já há uma certa delimitação do caráter das OnGs. O Conselho Nacional de Assistência Social atribui um título de utilidade pública federal, que define determinados atributos da entidade. Ele dá o título de assistência social e de filantropia. Mas a regulamentação não é suficiente. No primeiro ano do governo Lula, a Abong apresentou uma agenda com cinco pontos. Um deles se referia ao marco legal e acesso aos fundos públicos. Depois, em 2004, o governo criou um grupo de trabalho formado pela Abong, Gife e uma entidade de Oscips e vários ministérios, que acabou não andando, até em função da crise política. E, agora, vamos fazer um evento no Congresso Nacional. Lá existem 23 ou 24 projetos de lei relativos a OnGs. O que a Abong proclama, no que diz respeito ao marco legal, é a defesa de alguns princípios, como o da autonomia das organizações, o que está garantido na Constituição. Também queremos avançar o debate para estabelecer o que é uma OnG de defesa de direito, que é o âmbito de atuação das afiliadas da Abong.

A Lei Orgânica de Assistência Social, a Loas, regulamentada em dezembro de 2005, define, de algum modo, a OnG de defesa de direito. Outras leis também tratam dessa questão. Mas existem também os direitos difusos, para os quais não há lei específica. Quando você fala em desafio em relação ao marco regulatório, eu acho que ele está no fortalecimento do campo das OnGs de defesa de direito, que têm, como característica, atuar ao lado do movimento social e fortalecer a democracia.

A que se devem as freqüentes denúncias, que recrudescem de quando em quando, de irregularidades envolvendo OnGs?


Eleilson • Praticar irregularidades envolvendo OnGs é um caminho convidativo pois, por serem entidades sem fins lucrativos, elas gozam de uma série de isenções fiscais. Daí a necessidade de fiscalização. Mas o desvio de recursos em OnGs não é maior do que dentro do próprio Estado ou em empresas privadas que sonegam impostos. Mas é natural que casos de irregularidades em OnGs chamem a atenção porque a finalidade delas é fazer o bem; e é abominável que isso aconteça. Mas se há desvio de recursos em OnGs que prestam serviço para o Estado, seja ele federal, estadual ou municipal, o problema primeiro é do Estado. Primeiro, porque fez o contrato de gestão, de parceria ou convênio sem critério. Depois, porque tem mecanismos para investigar através de seu órgãos de controle, como tribunais de contas..

Quanto ao financiamento, de onde vêm os recursos?


Eleilson • Entre as associadas da Abong, que são 270, 150 têm recursos de cooperação internacional, que são geralmente fundações da Europa e dos Estados Unidos que captam recursos de fundos públicos ou mesmo de pessoas. Até o início dos anos 80, essa era praticamente a única forma de financiamento existente. Mas vem crescendo a participação de financiamentos nacionais, seja de governos, pessoas ou empresas, que já respondem por 42% dos recursos captados pelas OnGs filiadas à Abong.



A distribuição de recursos privilegia as OnGs de primeira divisão, mais bem estruturadas e de maior visibilidade?



Eleilson • A professora Marilena Chauí diz que as OnGs têm ocupado o vácuo do movimento social e, por vezes, substituído o próprio movimento, e os movimentos têm-se convertido em OnGs, em função de maiores facilidades de acesso a recursos. Ela atribui essa dinâmica à despolitização dos movimentos. Essa questão é bem mais séria do que a falta de equanimidade na distribuição dos recursos, que existe de fato. Nós, da Abong, pelo menos, pautamos nossa atuação na aliança com os movimentos. Até o início dos anos 90, OnGs, como as nossas, ficavam atrás do biombo dos movimentos, ajudavam a fomentar os sindicatos, tanto rurais como urbanos.

Já o movimento ambientalista, assim como o feminino, é todo ele originado em OnGs. Então, essa relação entre movimentos sociais e OnGs é complexa. Em alguns momentos, as OnGs fomentam os movimentos sociais, em outros, eles são as próprias OnGs. Mas é bom lembrar que o movimento social, percebendo a necessidade de uma organização institucional, criou, nos anos 90, a Central dos Movimentos Populares, que consegue captar recursos para os movimentos. Isso é importante porque resguarda a autonomia dos movimentos. Até porque as OnGs, também da década de 90 para cá, têm se colocado mais como ator político, acabou a história do biombo. Existe, então, um certo tensionamento, que não está resolvido. Nós, da Ação Educativa, captamos recursos através de projetos. Mas também atuamos na articulação da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que reúne 200 entidades. Temos a franca compreensão de que se não estivermos aliados ao movimento social e colados à sua pauta, nossa razão de ser deixa de existir. E essa é a perspectiva de trabalho da Abong — se o movimento social não estiver fortalecido, as OnGs não têm por que existir.

Em que medida as OnGs são relevantes no desenvolvimento de políticas públicas?


Eleilson • Elas têm essa característica de criar modelos que podem ser replicados em políticas públicas. Como exemplo, na Ação Educativa, desenvolvemos um projeto em parceria com o Ibope, “Nossa escola precisa de sua opinião”. Ele capacita o professor a utilizar a opinião pública como instrumento didático. O projeto chamou a atenção do MEC e de secretarias de educação interessadas em replicar a metodologia. Outro trabalho legal é o das OnGs que fizeram do Brasil uma referência mundial em prevenção da Aids, trabalho que não existiria sem a parceria do Estado com as OnGs. As OnGs têm papel na formulação de políticas públicas, são parceiras. Gostaria, ainda, de citar os Pontos de Cultura, do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, exemplo de como deve ser o papel de uma OnG na relação com o Estado.
O ordenamento da política quem dá é o Estado e a OnG entra na ponta implementando a política definida pelo Estado. Uma OnG nunca pode ser a executora da política pública, senão não é OnG, vira uma organização governamental.

Por que a bandeira da inclusão digital ficou confinada a OnGs com foco específico nessa questão?


Eleilson • A inclusão digital é mal compreendida pelo nosso segmento. Muita gente acha que inclusão digital é só colocar computador com acesso à internet para comunidades carentes. Não percebe que envolve a democratização das informações, do acesso à informação, a transformação das pessoas em autores. Também a questão do software livre é importante. Estamos interessados nessa discussão.

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"Há hoje em curso um movimento orquestrado pelo egoísmo onde grandes empresas nacionais e estrangeiras, somam grandes áreas, expulsando aos poucos, os pequenos produtores familiares, através da aparente legalização da compra de terras. E não é só no mundo do agronegócio mas também no imobiliário litorâneo."